quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Critica ao filme, "O homem ao lado" de Gastón Duprat e Mariano Cohn

O filme retrata de uma forma humorística e caricata a posição do protagonista, Leonardo, um designer bem sucedido, professor famoso e arrogante, amante da arquitetura que mora na famosa Casa Curutchet de Le Corbusier; e a posição de seu vizinho, Victor, um homem comum típico “machão” que possui estilo de vida, valores e ideiais vistos como inferiores pelo designer e por sua elite pseudointelectualizada. 

A todo momento durante o filme a casa de Le Corbusier é visitada e fotografada por turistas, curiosos e alunos de arquitetura, o que não parece incomodar e, muito menos, tirar a privacidade do protagonista e de sua família. Porém, no momento em que o vizinho, durante uma reforma da casa visando a melhor iluminação de sua sala, abre uma janela voltada diretamente à casa do designer, este, por não entender e não aceitar a necessidade do outro, se revolta e se sente ameaçado pela falta de privacidade gerada pela janela.

Além de nos fazer refletir sobre a subjetividade da arte e os pontos de vistas de leigos e arquitetos, os conflitos gerados durante todo o enredo do filme nos fazem perceber a critica em ambos pontos de vista, tanto à exagerada idolatração da arquitetura quanto a ideia e sentimento de privacidade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

"arquitetura ou Arquitetura"

No depoimento autocritico de Oscar Niemeyer, ele entra em uma questão bastante pertinente sobre o exercício da arquitetura relacionada aos problemas e às injustiças sociais existentes na sociedade. Como arquitetos, não podemos, jamais, fechar os olhos para os problemas sociais, nem mesmo ao projetar edifícios monumentais. Devemos sempre analisar o que a nossa intervenção no meio impactará, não somente na vida das classes mais elevadas que utilizaram daquele espaço, mas também das classes mais baixas que podem, por algum motivo, ser afetadas por essa construção. Ao fechar os olhos e ignorar a responsabilidade social durante o exercício da profissão, os problemas só aumentam. 

Portando, a arquitetura deve, sim, sempre assumir o seu papel social perante a sociedade e é o dever do arquiteto estar ciente das suas responsabilidades sociais ao modificar e criar espaços. Nenhum projeto, seja ele o mais particular possível, está livre de cumprir os requisitos sociais, já que qualquer alteração no espaço estará de uma forma ou outra impactando em todo seu meio

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

"Arquitetura como exercício crítico"

Ao colocar em debate o real significado e papel da arquitetura e dos arquitetos, entramos em alguns conflitos que devem ser analisados de forma crítica, não somente pela visão de arquitetos e estudantes de arquitetura, mas também com a visão de leigos que desejam somente a modificação de seu próprio espaço. Se passarmos a olhar a arquitetura como tudo e qualquer transformação realizada no meio, estaremos, talvez, inutilizando o papel de arquitetos formados? Ou, na verdade, o papel do arquiteto deveria ser além de praticar arquitetura do modo tradicional, poder intervir como um mediador e mostrar para os seus clientes, ferramentas e alternativas para que ele mesmo possa alterar o seu espaço da maneira que melhor lhe convir?

Usando como um exemplo um cidadão beneficiado pelo programa 'Minha casa Minha vida", ao receber a moradia e perceber que aquele projeto inicial não abrange todas suas necessidades, o altera, criando ou retirando uma das paredes, aumentando um espaço onde deveria teoricamente ser usado como espaço livre e, por fim, modificando o espaço da maneira que melhor supriria suas necessidades. Estaria ele, durante todo esse processo, exercendo arquitetura? Ou essa mesma alteração só poderia ser considerada arquitetura se um Arquiteto fosse contratado para realiza-la com seu olhar, senso crítico e desenho técnico em mãos?

E aí que moram todas as dúvidas em relação ao exercício profissional de um arquiteto, o que podemos chamar ou não de arquitetura, e a grande dificuldade de visualizar qual o real papel de nós futuros arquitetos diante da sociedade.